sábado, 13 de novembro de 2010

Pilares esquecidos

Por quase quatro anos eu participei de um grupo de jovens da igreja, onde cada pessoa que vai fazer o curso I tem que escolher um casal de dindos. Ano passado fui abençoada com dois afilhados, os únicos em quatro anos. Presentes maravilhosos que vieram para alegrar a minha caminhada, mas pela infelicidade das obrigações, acabei me afastando deles.
Muita gente pensa "nossa, que coisa tosca esses dindos", e eu entendo esse pensamento, até porque não são dindos de verdade. Acontece que quem está de fora não entende que há, sim um comprometimento sério entre dindos e afilhados.
Como eu disse mais acima, por causa de obrigações que a vida impôs para mim, acabei me afastando do grupo e por consequência deles também.
Nesse final de semana está ocorrendo mais um desses cursos, e várias coisas acontecem, inclusive fora dele. Minha afilhada, e também irmã, foi ajudar em uma dessas coisas que acontecem fora, e me lembrei de quando era eu fazendo para ela e para o meu outro afilhado.
Com essa situação, fiquei pensando em como eu era em relação aos meus afilhados e pensei: "que merda de dinda que eu fui." Porque um dindo serve para guiar os afilhados, para ajudar, para estar sempre presente nas tardes, e, principalmente, para não deixar eles caírem quando estiverem fracos. E eu nunca fiz isso. Um dos meus afilhados, o Flávio, saiu do grupo também, e sabem o que eu fiz? Nada. Em nenhum momento fui atrás dele para conversar e fazer com que ele voltasse. Então eu paro e penso: uma pessoa depoista confiança em mim e eu simplesmente não dou bola para ela. Fiquei pensando se fosse eu no lugar dele... Com certeza eu não gostaria.
Já a minha relação com a minha afilhada e irmã Larissa, é um pouco diferente. Porque por mais que eu não esteja mais no grupo, temos um contato mais forte, afinal, somos irmãs. Apesar de isso não justificar nem um pouco a minha ausência e falta de comprometimento como dinda. Hoje enquanto ela se arrumava para sair eu fiquei pensando: certamente eu fui uma decepção para ela. Certamente. E isso me magoa, porque eu não queria que a confiança que ela depositou em mim naquele dia em que me escolheu (que eu me lembro como se fosse hoje, emocionante...) não fosse correspondida.
Eu fico frustrada comigo mesma quando penso que não assumi o compromisso com essas duas pessoas super especiais para mim. O mínimo que eu devia fazer era acompanhá-los, ajudá-los, e ainda, estar junto deles em qualquer situação que tivesse relação com o grupo. E eu nunca fiz isso.
Pensando nisso concluí: tá na hora de voltar e de uma vez por todas fazer o meu papel. Porque quando eu estiver bem mais velha, eu quero lembrar do tempo em que eu frequentava o grupo e pensar que eu sempre amparei os meus presentes.
Vou voltar e me desulpar para jamais abandoná-los novamente.

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